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O eurodeputado, Ricardo Serrão Santos, interveio, enquanto convidado, na conferência intergovernamental da Unesco “Da COP21 à Década das Nações Unidas para a Ciência dos Oceanos para o Desenvolvimento Sustentável (2021-2030)”. A conferência, que se realizou na sede daquela instituição em Paris, contou com a participação, entre outros, do Director geral da UNESCO, Andrey Azouley, do Ministro do Ensino Superior de França, Frederique Vidal e de Ana Paula Vitorino, Ministra do Mar de Portugal.

Serrão Santos, que interveio no painel “Da ciência à acção: que políticas ?”, afirmou que a “sustentabilidade não pode ser uma ideia de marketing”. “Tem que ser”, disse, “um compromisso que deve levar muito a sério os diferentes e contrastantes níveis de desenvolvimento entre regiões e países”. É que “os que têm maior risco de deterioração das condições ambientais são precisamente os menos desenvolvidos”. Como é o caso, precisou, dos “estados insulares em desenvolvimento e outras regiões arquipelágicas que enfrentam ameaças especiais”. São, estes, “os mais vulneráveis aos riscos oceânicos e costeiros”.

O eurodeputado, que é coordenador para os assuntos do mar e pescas do grupo parlamentar dos socialistas europeus, chamou a atenção para o facto de termos “diante de nós uma “estrada longa e sinuosa” sendo que “o sucesso no final desta estrada está longe de estar garantido”. Serrão Santos salientou, os sucessos entretanto alcançados “como o “Acordo de Paris sobre o clima” de 2015 e a agenda sobre os “objetivos de desenvolvimento sustentável”, mas, enfatizou, “também nos deparamos com obstáculos políticos de natureza e prognóstico pouco claros”. Como é o caso, “daqueles que não reconhecem que o planeta mudou por causa da ação humana, e que essas mudanças, se não forem urgentemente e eficientemente mitigadas, afetarão o futuro de nossa civilização tal como a conhecemos. A política de negação é um crime contra o planeta”.

“O que estamos enfrentando em termos de aquecimento global, acidificação dos oceanos, perturbação dos ciclos de nitrogênio e fósforo, afeta a capacidade de auto-regulação da Terra e dos seus mares e oceanos”, afirmou Serrão Santos, que está ligado há mais de vinte anos à investigação marinha e às políticas do mar.

A finalizar, o eurodeputado, disse que “enquanto precisamos de fortalecer muitos aspectos da governança global e dos acordos globais, ajudamos a elevar nacionalismos e novas formas de nepotismo. A batalha pelo Planeta vale a pena, é uma batalha para melhorar o sistema de governança global, inspirado e liderado pelo conhecimento científico”.

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