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Participei, em Ponta Delgada, na conferência de apresentação do “Leme – barómetro da economia do mar”, uma iniciativa da PwC, que este ano teve como tema a “Revolução Digital e a Economia do Mar”. É certo que a Economia do Mar não ficou alheia a esta “nova” realidade, porém carece ainda de desenvolvimentos. Uma das características deste tempo é o acesso em tempo real à informação. Contudo, o acesso instantâneo aos dados é apenas realmente verdadeiro para menos de um quarto do nosso planeta, para os três quartos restantes, o oceano, há lacunas em termos de infra-estruturas de informação. O acesso aos dados é não só mais limitado como estes não são verdadeiramente disponibilizados em tempo real.

A Revolução Digital está mais atrasada nos nossos oceanos. Para que o “Oceano Digital” se torne uma realidade, temos obstáculos a ultrapassar. Os progressos são mais lentos neste ambiente. O oceano é visto como imprevisível e difícil. Para além das ondas extremas, do vento, da corrente, das mudanças de temperatura e dos furacões do oceano, a corrosão em água salgada é um desafio único que deve ser superado.

 

A boa notícia é que não estamos a começar do zero. As tecnologias comercialmente disponíveis funcionam hoje, mas é necessário um maior desenvolvimento. As ilhas dos Açores, localizadas no meio do Atlântico Norte, oferecem um local único para acomodar uma base de observação e conhecimento científico dos grandes processos oceânicos e uma plataforma de teste para equipamentos. As nossas ilhas são como faróis embutidos no meio da água salgada, olhando sobre a atmosfera e os oceanos ao redor. Em várias ilhas existem já estruturas e conhecimentos relacionados com a observação do oceano. Este cruzamento, no centro do Oceano Atlântico, com fácil acesso ao oceano aberto e ao mar profundo, constituiu uma localização ideal para estabelecer um centro cooperativo de pesquisa e tecnologia digital. O Centro Internacional de Pesquisa dos Açores – AIR, pode ser uma das ferramentas cooperativas fundamentais para monitorar os oceanos, compreender a complexidade das relações entre o ar, o oceano e a terra, a complexidade das relações entre espécies e serviços prestados pelos sistemas bióticos e abióticos. Este Centro, converge claramente com o Plano de Ação do Atlântico, promovido tanto pela Comissão Europeia como pelo Parlamento Europeu, com a Declaração de Galway para a cooperação científica no Atlântico Norte e com a Declaração de Belém para a cooperação científica no Atlântico Sul. O Plano de Ação reconhece que a pesquisa atlântica será, em muitas áreas, mais eficaz se for coordenada em bases transatlânticas. Os Açores, como plataforma de teste de equipamentos robóticos e de sensores acoplados a grandes organismos pelágicos, podem continuaram a atrair consórcios e financiamentos científicos no âmbito do 9.º Programa Quadro de investigação e inovação, à semelhança do que foi conseguindo em anteriores programas quadro. Saiba manter-se o capital humano e a aposta nos consórcios de cooperação científica nacionais, europeus e internacionais.

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