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Nos últimos 100 anos, a humanidade desenvolveu uma enorme capacidade  de inovação e criatividade, levando a um “domínio tecnológico da Natureza” e, até mesmo, à falsificação “da Natureza”. O caso dos plásticos, é provavelmente, um dos exemplos mais impactantes. “Plásticos”, o “material milagroso”, é uma inovação tecnológica que encontrou o seu caminho para a produção industrial nos anos 30, e que, após os anos 50, foi significativamente incrementado. Acredito que nenhum material é mais representativo da denominada “grande aceleração”. Em 2000, produzíamos globalmente cerca de 250 milhões de toneladas/ano de plásticos e fibras sintéticas. A produção em tais quantidades significava que os plásticos estavam a surgir nos ecossistemas mundiais. A literatura científica menciona, desde os anos 60, os plásticos como a principal componente do lixo marinho. Actualmente está presente em todos os habitats marinhos, das praias aos pontos mais remotos dos oceanos.

Sabemos, hoje, que as aves marinhas, peixes, tartarugas e mamíferos marinhos sofrem e morrem como consequência do emaranhamento ou de fome, com os estômagos cheios de plásticos ingeridos por engano como se fossem boa comida. Também descobrimos que um impacto significativo do plástico nos oceanos vem de partículas microscópicas de plástico. Partículas de plástico que permanecem invisíveis nos nossos oceanos, em águas aparentemente claras. Estudos recentes demonstraram que as redes de arrasto de plancton voltam com uma massa gelatinosa de microplasticos. Aparentemente, em algumas áreas, o plástico supera o zooplancton – a base de alimentos do oceano.

A solução do problema dos plásticos marinhos convoca conhecimentos de diversos setores, incluindo indústrias, ciência, políticas, ONGs e cidadãos. Na sequência da Assembleia Ambiental das Nações Unidas, da Comissão Baleeira Internacional, da Convenção sobre a Diversidade Biológica e da Convenção sobre Espécies Migratórias, o G7 decidiu recentemente tomar medidas contra o lixo marinho. O World Plastics Council, que representa a indústria, também quer contribuir com uma série de soluções concretas para este desafio global. Este enorme problema precisa de facto de uma ação coordenada e cooperativa de toda a sociedade.

A economia circular é uma abordagem importante. O nível de reciclagem e uso de resíduos de plástico está aumentando. Mas e as grandes quantidades de plástico que são exportadas e acabam em países que não possuem a capacidade técnica para a reciclagem? Plásticos substituem vidro, madeira, papel, ráfia, terracota em bens e artefatos tradicionais em África. Grandes quantidades de plásticos produzidos na China entram em África, sem reciclagem, apenas empobrecendo a paisagem, contaminando o solo e as águas e desvalorizando as artes e a cultura tradicionais.

A Comissão Europeia apresentará, até ao final de 2017, uma Estratégia sobre Plásticos como parte do Plano de Ação da Economia Circular. Acredito que a economia circular, fortemente apoiada pelo PE, juntamente com a Directiva Quadro para a Estratégia Marinha, a Directiva para o Planeamento Espacial Marítimo e outras políticas ambientais, a inovação azul e verde, são políticas essenciais e que contribuirão para o esforço de reduzir o impacto dos plásticos e microplásticos no meio Ambiente.

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