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Quanto ao caso, já sobejamente discutido, do relatório Rodust e subsequente folhetim que ocupou algumas páginas deste jornal nas últimas semanas, fico-me por aqui. Surpreende-me que continuem a criar pós-narrativas que misturam um pó da realidade com factos alternativos. Sei que estamos na era da “pós-verdade”, mas eu não vou por aí.

Entendo contudo ser importante, para que fique novamente escrito e registado para memória futura, que graças à actuação de eurodeputados de diversos Grupos Políticos e várias geografias foi aprovado no Parlamento Europeu um conjunto de disposições que sugerem à Comissão Europeia fortalecer o apoio financeiro diferenciado para o desenvolvimento sustentável do sector das pescas nas regiões ultraperiféricas. Foi possível chegar a esse ponto porque houve deputados, ONGs, cientistas, organizações de pescadores e lobbies de governos, nacionais e regionais, que se empenharam. Nenhuma das posições defendidas inicialmente foi totalmente vencedora no final. Todas as propostas foram moldadas de acordo com a verdade, a sustentabilidade, a necessidade, a oportunidade e os interesses dos diferentes actores. Orgulho-me de ter reunido com todos e de ter redigido diversas posições públicas que foram utilizadas para motivar os deputados de outros Grupos Políticos. Relembro que fui o único interveniente da mesa da conferência do Fórum das RUP, que recentemente teve lugar em Bruxelas, que abordou e defendeu esta temática de viva voz. Escrevi à plataforma de mais de 100 organizações não-governamentais do ambiente, aos coordenadores das pescas dos diferentes Grupos Políticos e por fim a todo o plenário justificando o enquadramento e racionalidade da minha posição, aquela que foi aliás vencedora. Ficamos com um excelente relatório de iniciativa Rodust. Sabemos hoje que a emenda original para a renovação das frotas jamais passaria no plenário do Parlamento Europeu mesmo que tivesse passado no Comissão das Pescas. Isso sim, constituiria um erro crasso e incorrigível.

Como consequência do empenho e opções que tomei, que não estiveram livres de riscos, fui congratulado pelo representante dos pescadores das regiões ultraperiféricas francesas desta forma: “Envio-lhe, em nome de todas as partes interessadas da pesca nos DOM, o meu agradecimento pelo seu envolvimento pessoal para a boa decisão alcançada em plenário com a aprovação do relatório Rodust com a emenda (…). Esta emenda, crucial para a pesca das RUP, de que é autor e que causou, no Parlamento Europeu, um debate necessário, que apesar da oposição aberta de ONGs ambientais, não teria conseguido a adesão da maioria dos seus homólogos sem a sua mobilização efectiva e o seu forte apoio” (traduzido do francês). Parece-me esclarecedor.

Se há sítio onde partilha e comunicação entre deputados do mesmo país e da mesma região é importante é no Parlamento Europeu. Garanto que em nada me interessa diminuir o papel dos meus colegas. Interessa-me que eles façam o melhor, até para poder eu também fazer bem. Por exemplo, quando um colega convida outro para proporem em conjunto emendas a um documento estão a fortalecer a probabilidade de ter sucesso. Fazemos isso com frequência, tal como aconteceu com o Relatório Rodust.

Muito mais haveria para escrever, mas quem não quer ver, não quer ver. Não há hipótese. Já antes o tinha referido, agora repito, não me interessam as picardias pessoais. Interessa-me trabalho e a consequência para os Europeus e, em particular, para os Açorianos. Eu vou por aqui!

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