Ir para site do PS/Açores
Tenho ao longo deste mandato visitado várias ilhas. No passado fim de semana estive na ilha Graciosa. O objetivo destas visitas é sempre o de tomar contacto com as diferentes realidades a cada momento. São visitas em que procuro recolher novas sensibilidades que surgem fruto dos desenvolvimentos e desafios com que nos vamos confrontando a cada momento.
Aproveitei aqueles dias para estar junto dos graciosenses participando, no sábado, nas celebrações do Dia do Agricultor. Foi um dia intenso e interessante, onde foi, mais uma vez, possível constatar a diversidade e qualidade das produções locais. A organização está de parabéns. Creio que os objetivos foram superados. A população envolveu-se nas celebrações, tendo a iniciativa registado níveis de participação assinaláveis. O concurso de carnes, a prova de vinhos, a exposição canina e a demonstração equestre foram prova viva da dinâmica do sector agrícola graciosense. Apesar das dificuldades que todos sabemos existirem, com maior impacto nos produtores de leite, a verdade é que os produtores estão empenhados e com vontade de continuarem a trabalhar no sentido de serem ainda mais eficientes e competitivos. A capacidade de organização e a resiliência que o sector demonstra na Graciosa merecem destaque.
Como sabem o mar é desde sempre a minha área de intervenção. Por ser membro da Comissão das Pescas do Parlamento Europeu, a par da presença na Comissão de Agricultura e Desenvolvimento Rural, dediquei também algum tempo às questões das pescas e do mar. Reuni no domingo, a este propósito, com Associações de Pescadores e Armadores, pude ainda visitar uma empresa marítimo turística.
Também neste particular merece destaque o empenho da Associação de Pescadores na procura de soluções alternativas para a redução do esforço de pesca do goraz. A pesca na Graciosa tem uma grande dependência daquela espécie. Não podemos, por conseguinte, escamotear que as restrições à pesca do goraz tem um impacto significativo no rendimento da frota pesqueira daquela ilha. No entanto, a Associação procura, e a verdade é que tem encontrado, outras formas de rendimento que a médio prazo poderão mitigar os efeitos daquelas restrições. Por outro lado, merece reconhecimento a forma como os pescadores e seus representantes abordam a temática da gestão da quota disponível, sendo criteriosos na escolha do momento da apanha para que este coincida com dias de bom preço daquela espécie nos mercados. Por outro lado, têm um conjunto de propostas, como por exemplo a do aumento do tamanho mínimo do peixes a capturar, que são bastante positivas do ponto de vista da salvaguarda dos stocks. O caminho para a sustentabilidade das pescas é este. Todos sabemos que não o percorreremos sem dificuldade mas passos firmes e conscientes como os que têm sido dados na Graciosa contribuem muito para que tenhamos esperança no futuro do sector.
Por tudo isso a Graciosa é uma ilha de futuro. É com muito interesse e entusiasmo que tenho assistido ao desenvolvimento daquela ilha que tem hoje outras ferramentas para encarar o futuro. Dispõe de uma agricultura dinâmica, começa a dar passos coerentes rumo a um esforço de pesca sustentável, é precursora na produção de energias limpas e o turismo tem também dado passos significativos.
É natural que não esteja tudo feito porque podemos sempre fazer mais. Mas é evidente que há uma estratégia de desenvolvimento que encaixa na perfeição naquilo que a Europa defende que deve ser o modelo de desenvolvimento de comunidades insulares como a da Graciosa.

Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on LinkedIn

Deixe um comentário