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Uma infeliz conjugação de fatores está a contribuir para a baixa do preço do leite pago ao produtor um pouco por toda a Europa. Na verdade, o fim das quotas leiteiras, o embargo russo aos lacticínios europeus e o crescimento anémico do consumo de produtos lácteos em mercados emergentes, como é o caso da China, conduziu a um excedente de produção. Num mercado liberalizado como o que vigora deste o dia 1 de Abril o efeito é a baixa do preço dos produtos.
Como a regulação do mercado é incipiente e a relação produção/distribuição permanece altamente desequilibrada, a fatia de leão da baixa do preço do leite está a ser absorvida pelos produtores que vêm desta forma degradar-se o rendimento das suas explorações.
Quando foi decidido não prolongar o regime de quotas as expectativas eram outras. Desde logo, aumentar as exportações europeias de produtos lácteos com especial enfoque nos já referidos mercados emergentes. Por outro lado, não era, naturalmente, previsível um embargo Russo. Ainda que os mercados externos estivessem em plena expansão, apenas alguns teriam reais possibilidades de as explorar e, apenas estes mesmos, de sobreviver em condições adversas. O contexto actual ilustra isso bem. No médio a longo prazo, este cenário pode acompanhar-se de consequências com custos socias e ambientais muito elevados, se pensarmos na intensificação da produção e no abandono da actividade. Infelizmente, como está à vista, é com este mesmo cenário que prefere comprometer-se a maioria política que define os desígnios da agricultura europeia.
Ora, perante os acontecimentos recentes, a Comissão Europeia permaneceu atávica, agarrou-se aos dogmas do mercado teimando em denegar os alertas do Parlamento Europeu em diversas circunstâncias, e formalmente por via do “relatório do leite”, e dos produtores em inúmeras audições, fóruns e debates entretanto realizados.
O Comissário Irlandês, Phill Hogan, parece um elefante em loja de loiça. As respostas europeias foram adiadas até ao último momento. Foram anunciadas no dia das manifestações que levaram agricultores de toda a Europa a protestarem vigorosamente (também a Federação Agrícola dos Açores) nas ruas de Bruxelas. Continuamos sem um conjunto de medidas que incida sobre os aspetos fundamentais deste mercado. É preciso regulação para estabilizar a oferta e garantir um preço justo à produção. Por enquanto, a Comissão ainda não saiu dos meros paliativos. A resposta europeia vem servir…os “mesmos” e os “alguns”.

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