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Para alguns de nós o Ártico pode ter parecido longínquo e intangível. Infelizmente, tal como outras áreas selvagens do nosso planeta, o Ártico está a ficar sob os holofotes pelas piores razões. Reconheço que o planeta Terra é dinâmico e tem estado em mudança desde o seu nascimento, incluindo todas Eras desde que o Homo sapiens se diferenciou no planeta. A questão é que na presente Era a mudança está a acontecer a um ritmo até agora nunca visto e provocada por fatores antropogénicos. A ação do homem tem promovido o aquecimento global.

A situação no Ártico é particularmente complexa quer ao nível das mudanças climáticas quer dos programas políticos. Alguns consideram o degelo do Ártico como uma forma de encurtar distancias e aumentar os lucros. Outros vislumbram uma oportunidade para aumentar os bancos de pesca e para estabelecer uma rota mais curta para o comércio internacional. Temo que esta seja uma avaliação pobre e de curto prazo. Uma visão que coloca em primeiro plano a ganância e o oportunismo que deve ser acautelada através da implementação de mecanismos de proteção e de mitigação dos efeitos sobre o clima.

Neste sentido, ao longo dos últimos anos, muito trabalho tem sido realizado e alguns avanços registados. Em 2007, fui o anfitrião e coordenei nos Açores uma reunião de peritos internacionais no âmbito da Convenção da Diversidade Biológica. O objetivo foi estabelecer os critérios científicos para a identificação e seleção de Áreas marinhas Ecológica e Biologicamente Significantes (AEBS). Foi seguindo estes critérios que a Convenção da Diversidade Biológica determinou um conjunto de áreas marinhas no Ártico de particular significância ecológica.

Merece destaque o facto do Parlamento Europeu ter apoiado a regulação do Ártico antes de qualquer exploração, usando uma abordagem precaucionária, para manter comunidades sustentáveis, e a implementação de AEBS.

A União Europeia pode ter um papel decisivo no futuro do Ártico. Na verdade, a União está numa posição privilegiada para facilitar a coordenação entre os Estados Membros. Muitos já definiram as suas estratégias para o Ártico, sendo que as instituições europeias – O Conselho, a Comissão e o Parlamento – também expressaram as suas visões. Deste diálogo institucional emergiram três princípios: proteção, uso sustentável e e cooperação internacional. Tendo em conta que estes três aspetos se suportam em conhecimento, na minha opinião, temos os quatro pilares que devem sustentar a abordagem europeia ao Ártico. Parece-me evidente que a Europa deve alinhar as suas ações com estes princípios orientadores.

* baseado na intervenção proferida nos “Diálogos sobre o Ártico”, uma conferência promovida pela Greenpeace Internacional.

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