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A Europa atravessa momentos políticos intensos. A questão grega consome, naturalmente, grande parte da atenção quer das instituições europeias quer da própria opinião publica e publicada. Perante as dificuldades da moeda única não é de estranhar que fiquem para segundo plano alguns temas relevantes que pese embora o seu interesse do ponto de vista da construção europeia não constituem, por agora, um tema capaz de suscitar a discussão que merecem. É claramente o caso de um estudo recentemente tornado publico, o barómetro anual do Parlamento Europeu referente ao ano de 2014. A sondagem que inquire presencialmente mais de 27.000 cidadãos europeus de todos os Estados Membros procura medir a percepção dos cidadãos quanto ao papel das instituições europeias, a sua imagem e o conhecimento dos europeus acerca do trabalho desenvolvido pelo Parlamento. É interessante que questionados acerca do que é mais definidor da União Europeia, as respostas dos cidadãos de dez Estados Membros da União Económica e Monetária sejam a existência de uma moeda única. Sendo que em Portugual, Grécia e Espanha as percentagens permanecem praticamente inalteradas em relação ao Eurobarómetro de 2013.

A edição do Eurobarómetro de 2014 é a primeira depois da realização das eleições europeias de Maio passado. Umas eleições em que o Parlamento, em virtude de entretanto ter entrado em vigor o tratado de Lisboa, se apresentou com poderes reforçados. Apesar das vicissitudes de um processo de todos conhecido, a verdade é que a nomeação do Presidente da Comissão, Jean Claude Juncker, teve em conta o resultado das eleições europeias e, por conseguinte, a atual composição do Parlamento Europeu. Uma clara maioria dos inquiridos considerou que este modelo representou um progresso significativo para a democracia na União Europeia. Sendo também de registar um aumento naqueles que entendem que as posições defendidas pelos deputados europeus são hoje mais influenciadas pelas suas famílias políticas europeias do que pelo Estado a que pertencem. Este facto resulta também de um melhor conhecimento do quadro institucional da União e da forma como funciona. Os resultados indicam que os europeus têm agora uma visão mais política do Parlamento. Para isso parece contribuir um melhor conhecimento acerca de quem são os deputados europeus, o maior nível de conhecimento desde 2007, data em que se realizou a primeira edição do Eurobarómetro.

Tendo em atenção exclusivamente os resultados deste inquérito o método dos pequenos passos de Jean Monet parece estar a ser cumprido e a surtir efeito. Na verdade, o reforço dos poderes do Parlamento Europeu, a única instituição constituída por representantes diretamente eleitos pelos cidadãos, está a ter repercussão na forma como os europeus encaram a democracia na União. E, se há valores que os europeus continuam a considerar como identitários, estes valores são a democracia e a liberdade.

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